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domingo, 14 de novembro de 2010

Peneira


Ela era uma mente cheia e um coração aparentemente vazio. Nada adiantava nada funcionava nada ali parava. Acontece que ele tinha um defeito, suas feridas não eram cicatrizadas, nem depois nem nunca.

Esquecer ela esquecia, mais os buracos ali ficavam, e era por ele que sentimentos vazavam como água numa peneira, por mais que a intenção fosse à das melhores, parecia ser da sua natureza ser assim.

Não era comum ouvir dizer que ela chorou, extravasou e se entregou. Porque em todas as situações independente do seu humor e estado de espírito ela estava sempre sem se abalar, com seus pés colados no chão.

Era pura e recatada. Para quem a visse de fora era como um anjo, uma imagem esculpida a mão. Vivia sua vida em busca de um destino, apesar deste já ter lhe sido apresentado, não parecia se agradar. Estava sempre tampando os buracos de seu coração com as mãos, não deixando transparecer o inevitável, tentando adiar o que um dia descobririam.

Fazia-se feliz com o pouco e não sabia distinguir o que era muito, na maioria das vezes era apenas bom. Acreditava em muitas coisas impossíveis varias vezes no dia, e desacreditava do que todo mundo costumava acreditar, não por ser comum, e sim incoerente, palavra da qual ela sabia muito entender e conviver. Desconhecia suas qualidades e até parecia modéstia, mas de seus defeitos ela sabia como ninguém, e os tratava como vizinhos que sempre chegam a nossa casa em horários inoportunos.

Passava mistério a quem quer que encontrasse, e admirava a coragem de quem se dispusesse a conhece-la.

Ela seus guarda segredos a sete chaves na mesma gavetinha que guarda as coisas que lhe dói.


Amanda Vieira

terça-feira, 21 de setembro de 2010

No sofá


Sente-se aqui vamos conversar. Conte pra mim como foi seu dia, conte como está a sua vida, sem a minha presença, sem a sua vida, seu o seu calor. Não se assuste ao me ouvir dizer essas coisas, eu sei muito bem o que represento, seus olhos me contaram um dia desses, seus olhos me contam sempre que ti vejo.

Sei que você mais do que tudo tenta fingir, sei que quando possível você mente pra mim, e para os outros, porque eu também faço. Mas isso tudo é em vão.

Aquela música sempre incomoda, o cheiro ti faz arrepiar, e as cenas românticas fazem brotar lágrimas nos seus olhos.

Músicas não incomodam por qualquer besteira, lágrimas não são alergia, nem cistos. Tristeza não é mal-estar é mal-estar, amar não é nostalgia. Assumir isso tudo não muda você.

E se não existir um amanha e se não houver outra chance, pra você, pra nós.

Assumir não muda você, assumir muda nós dois, muda tudo entre nós dois.

Amanda Vieira


sexta-feira, 27 de agosto de 2010

como sempre... você!


Ontem, minhas incertezas se tornaram maiores que as certezas, a loucura quis me dominar, meus medos e insegurança vieram à tona. As borboletas fizeram festa na minha barriga, os nós invadiram minha garganta. Meus olhos procuraram os seus, meu coração também, mas não encontraram. Não sei se essa seria a solução, ou a continuação de um problema, mas procurei, procurei sim, com a mesma fraqueza e intensidade de sempre. Mas alguma coisa sempre me diz que não é o suficiente. Na realidade não sei bem o significado dessa palavra s-u-f-i-c-i-e-n-t-e. Eu não costumo me satisfazer, me contentar, sempre to querendo algo mais, de mim, das pessoas, do mundo, e de você é claro. E quando não tenho me escondo numa espécie de casulo que criei, onde eu jogo com as palavras, me prendo em pensamentos e não solto coisas que eu mais gosto dentre elas você.

Eu deveria estar aqui falando de mim, unicamente, mas acontece que eu não consigo, acontece que eu travo, explodo, choro, grito, mas não adianta, você permanece aqui, e em tudo que fala e escrevo existe vestígios seus. Acho que agora é a hora de ti dar os parabéns, e a mim... Meus pêsames.


Amanda Vieira

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Carta pra você



Querido Edu,


Não sei se você vai se lembrar de mim, estudamos juntos no curso de verão. De qualquer forma vim ti falar dos meus sentimentos, do que tenho nutrido desde então. Sei que vai parecer patético sei que vai parecer loucura, ouvir isso de uma ''estranha''.

Não é neurose minha só descobri que te amo. Descobri depois que me perdi nos pensamentos milhares de vezes e você sempre estava lá, descobri depois que passei a me distrai com o jeito que você mexia no cabelo, com o seu perfume enquanto você passava por mim, como você sentava na cadeira e jogava a mochila pro lado,e o seu tamanho desinteresse pelas minhas matérias favoritas.

Quando o curso acabou eu não pude me conter, as horas passavam devagar demais no relógio, tudo era tão tedioso pra mim, foi então que descobri seu endereço, duas ruas depois da minha casa. Feito idiota passava por lá todos os dia, nem sempre ti encontrava no portão, e quando encontrava você quase nunca me percebia, mas quando nosso olhos se cruzavam já eram o suficiente pra eu me encher de esperança, e continuar achando que um dia você poderia retribuir meus sentimentos.

Minhas amigas desistiram, porque elas sabem que não adianta tentar mudar o que eu sinto, não pense que eu também não tentei, mas foi forte demais, não sei explicar.

Escrever essa carta poderia ser uma loucura maior, mas apesar de tudo sou tímida, para falar pessoalmente, e não agüentaria mais guardar isto. pensei em mandar um e-mail, mas é um tanto quanto frio, então deixei na sua caixa de correio. Não sei da sua reação, mas, por favor, se você entender me encontre amanha as 15:00 hrs na pracinha...

(Continua)


Marina



Amanda Vieira

segunda-feira, 12 de julho de 2010

He loves most in


Ironia do destino ou preço pago, você não olha mais pra mim.
Acho que isso é o minimo que eu mereci, por tudo que eu fiz com você.
Você me amava, eu sabia, sim sabia, e tirava proveito disso. Mas acredite não era por mal eu apenas gostava da sua compania, da sua voz e do seu abraço, na verdade ainda gosto.
Eu te considerava um amigo mas você não me via assim. Me fingia de desentendida e inocente quando alguem me culpava. A verdade é que eu deveria ter te ignorado, me afastado, te soltado, mas meu egoísmo falou mais alto que isso, e eu ti mantive aqui, deixava que você me ligasse, deixava que você me procurasse, cheguei ao ponto de por inumeras vezes chorar em seus braços a dor que outro alguem me fazia sentir.
Algum tempo passou, e você me esqueceu, conheceu alguem mais interessante. E o que eu não esperava aconteceu, Senti ciume, senti falta de você, e senti mais por saber que você não me amava como antes, ou melhor não me amava mais. Agora você olhava para outra, escrevia para outra, e ouvia músicas pensando em outra. Sei que eu deveria esta feliz por isso, mas não estou. Talvez eu seje mesmo pior do que imagino.

Amanda Vieira

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Nua e crua


Há algum tempo ela se orgulhava em saber que alguém se apaixonará e faria qualquer coisa por ela, era como um tipo de vitória e fazia muito bem para seu ego.
O tempo passou e diante da sua esquisitice e indiferença em relacionamentos ela pode ver muitos sonhos desmoronarem, muitos rostos se entristecerem e principalmente muitos corações serem partidos. Alguns dizem que foi coisa do tempo e da idade, mas a única coisa que eu sei é que muita coisa mudou desde. Agora eu posso dizer que ela sofre, apesar de muitos ainda a considerarem um coração de gelo. Mas se olharmos pelo outro lado fica bem diferente, ela não é má, ela não quer ser má. Portanto ela agora anda por ai procurando uma maneira de não partir, mas corações, de conseguir equilibrar e controlar as oscilações dos seus sentimentos. Enquanto afasta as pessoas, ela deixa bem claro:
Não se refugiem em mim, não tentem encontrar conforto ou qualquer outra coisa. No fundo de uma caverna seca e quentinha pode haver um urso e no meu caso faminto.

Sinto muito.


Amanda Vieira

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Complicated love


Essa noite vamos falar de nós dois de e de mais ninguém. Não sei se você percebeu, mas a nossa história daria uma boa novela, mexicana ainda. São tantos encontros e desencontros, tantas idas e vindas que me deixam tonta. Mesmo assim sem você aqui meu mundo não é completo. É como se a peça fundamental de um quebra-cabeça, a peça que dá todo o sentido a ele, faltasse. Tenho quase certeza que é recíproco. Então porque nunca deu certo, porque nunca nos encontramos? Se alguém souber a resposta, por favor, me diga, porque disso tudo eu já me cansei, já me rendi. Então vamos viver logo o que há para viver, acho que te amarei para sempre, e se você quer saber, só isso me importa.

Amanda Vieira

A última carta


Por tudo que já foi dito,
Por tudo que já foi jurado
Eu choro em ter que dizer adeus
Preciso ir embora, recomeçar
Vivemos em mundos diferentes agora
Queremos coisas diferentes

Já era de se estranhar toda essa sintonia
Eu mais do que ninguém deveria saber
Eu não poderia me lamentar
Uma hora tudo tem um fim

Por todas as feridas
Que já fizeram no meu coração
Eu tenho receio de fazer o mesmo com alguém
Mesmo assim eu faço.

Desde já te peço desculpas
Quero que saiba que sempre te amarei
Meu eterno melhor amigo.

Amanda Vieira

terça-feira, 18 de maio de 2010

Basta


Você prometeu ligar. Prometeu procurar, prometeu se importar... Mas nada foi cumprido.
Ela levantou-se, olhou a secretária, conferiu os emails, deveria ser como todos os dias em que ela esperou que você desse sinal de vida, mas não foi.
Com muita dor no coração e lágrimas nos olhos, ela abriu sua gaveta, aquela onde ficavam suas lembranças, tirou todas as coisas, cartas, fotos, e tudo mais, e queimou, sim queimou. Excluiu suas mensagens, seus emails, escondeu tudo o que você tocou, tentou apagar todos os vestígios do seu cheiro. Uma ponta de arrependimento começava a surgir, mas agora já era tarde, tinha passado da hora de dar um basta em você, tinha passado dá hora de dar um basta nesse amor. Ele já havia passado da data de validade, já estava em período de decomposição.
Enquanto ela olhava para as chamas queimando em uma lata na sua varanda, ela pode admitir que tirar tudo que era seu, não tiraria você de dentro dela, mas poderia ser um começo, e o recomeço que ela mais precisava.

Amanda Vieira

sábado, 8 de maio de 2010

Ao lado.


Da janela do meu quarto eu podia ouvir você, podia ouvir o soluço do teu choro, e tinha que me contentar em não poder fazer nada, eu queria ti abraçar, e mostrar que você tinha quem ti amasse, eu.
O seu quarto ficava ali do lado do meu. Eu me lembro de noites em que você não me deixou dormir com sonhos atormentados, e de dias em que a sua música alta não me permitiu estudar.
Eu sei que pra você eu não passo de uma criança ainda, mas eu sei do que eu sinto, sei que ti entendo, e que exageradamente dizendo sou perfeita pra você. Você não sabe disso, não é mesmo?
Apesar de tudo eu insisto, e ainda tenho esperanças, de que um dia pelo corredor, nossos corações se encontrarão e o meu estará muito feliz em ti receber.
Da sua eterna apaixonada vizinha.

Amanda Vieira

terça-feira, 4 de maio de 2010

Carpe dien


Acordou e pode sentir o vento frio entrando pela janela, o céu azul visto da janela era lindo. Pensou nos compromissos, no quarto bagunçado, pensou em qualquer outra coisa, e finalmente pensou em nada Só se rendeu aquele dia perfeito, aquele clima agradável, e aquela vontade insaciável de ser livre, de gritar, dançar, mesmo que isso só fosse durar algumas horas. Tomou banho, trocou de roupa, mal se olhou no espelho, escovou os dentes, pegou sua mochila, jogou coisa dentro, e saiu. Saiu para aproveitar o momento, saiu porque era disso que ela precisava, e há muito tempo fingiu não entender, fingiu não escutar. Não pense que ela enlouqueceu, ela somente, pela primeira vez na vida, acertou na escolha.


Amanda Vieira

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A outra II

Parte II

Não foi culpa dele, de quem o acompanhava, muito menos dela. A verdade é que ela sempre foi a outra.
Apaixonou-se e desmoronou-se, com um amor não correspondido.
Isso talvez não devesse ser dito, nem ao menos tão detalhado, mas você precisa saber...
Que enquanto ele a beijou, os lábios dela puderam sentir. Enquanto ele a abraçou, ela teve aconchego. Foi tão inevitável, tão rápido, que ninguém pode saber. Um dia nos planos de uma, no outro nos braços da outra.
Você pode julgar, pode se lamentar, mas não pode imaginar como ela se sentiu e sente.
Enquanto isso ela continua, passando pelo mesmo lugar, invisível, se afogando nas mesmas magoas e testemunhando o vestido mais lindo, que lhe caía como uma luva, sendo usado, rasgado e sujo por outra.

Amanda Vieira

A outra I


Parte I

Já era noite e enquanto ia para casa, ela viu vocês dois juntos... Mais uma vez.
Mesmo sendo uma cena comum nos últimos dias, ela caminhou entorpecida. Entrou em casa que por sorte estava vazia, se arrastou até seu quarto, largou a mochila em qualquer canto, foi até o banheiro resolvida a tomar um banho e quem sabe lavar a alma. Não precisou muito para se livrar das roupas, elas não eram nem de longe o que mais pesava no seu corpo. Ligou o chuveiro, a água quente fervia-lhe a pele, e ao mesmo tempo parecia que todos os pedaços do seu coração desciam pelo ralo.
Desligou o chuveiro, vestiu um pijama surrado, deitou-se na cama ainda desarrumada, exatamente como deixará pela manhã. Pensou em comer, mas não sentia fome, pensou em fazer algo, mas nada lhe interessava. Talvez chorar seria a solução, mas isso ela não conseguia mais. Era como se de tanto jorrar uma fonte secará...

sábado, 24 de abril de 2010

Conexão


Você balançou meu mundo a primeira vista. Fez com que eu desconsiderasse qualquer pessoa que se aproximasse de mim, com você por perto.
Eu sempre senti que éramos nós dois, só isso e mais nada.
Não foi como de costume, não foi como se encantar, ou gostar, não foi nada disso.
Foi alguma coisa que eu não sei ao menos explicar, uma espécie de transe, conexão.
Eu soube que pertencia a você. Todas as partes de mim se atraiam como pólos negativos e positivos.
Foi engraçado como em instantes eu ti via nas minhas lembranças, até das que eu não vivi. Nos meus sonhos e pensamentos.
Eu nunca assumi isso a você nem a ninguém, não sei se por medo ou por desconhecer tamanho sentimento.
Mas agora estou aqui. e essa é a minha confissão, a minha redenção.

Amanda Vieira

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Curiosidade alheia


A curiosidade não matou só o gato, a verdade é que ela deve ter matado muita gente por ai, não adianta negar, eu sei que a carapuça serviu, sempre serve, em mim em você, em todos, com o perdão por ter generalizado. Eu diria até que é normal, até porque nós seres vivos e dotados de células animais, tendemos a ser assim.
Por exemplo, acontece alguma coisa diferente com algum amigo e ele ti diz ‘’não posso contar’’ Pronto dai aparecem os sintomas, você fica nervoso como se milhares de pulgas pulassem em você ao mesmo tempo, não para por um instante, e se compromete a infernizar a vida do pobre até que ele te conte. É inevitável, bem mais forte do que você pensa, sai como um impulso, ou um reflexo. Mas no fundo acho que faz parte da natureza humana e da não humana também, é a partir dessa curiosidade que vem a evolução, pode atrair coisas ruins ou boas, mas que disse que pra inventar a roda o homem não teve que martelar o seu dedo?

Amanda Vieira

terça-feira, 6 de abril de 2010

Conto de farsa


Branca de neve, cinderela, bela adormecida...
Todas com algumas coisinhas em comum:
Princesa reprimida e explorada pela madrasta má, sonhadora e apaixonada que depois de tanto sofrer é salva pelo seu príncipe encantado, sobe em um cavalo branco ou carruagem e vai para seu castelo, onde viverão felizes para sempre.
Então eu pensei. É só isso?
Ela vive metade da vida sendo atormentada por uma bruxa e quando sai ela se casa e se prende em outro castelo?
Nenhuma loucura, nenhum ato de liberdade, não sai com as amigas, não torra o dinheiro da madrasta, nenhuma viagem, nada.
Isso não é o que eu chamo de final feliz. Finais felizes deveriam acontecer de outra forma, sem uma princesa esperando por um príncipe para salva-la, e sim se salvando sozinha. Deveria encontrar o lugar dela no mundo e construir um castelo lá e por fim
Encontrar um príncipe. Porque é dessa forma que as coisas funcionam.
E eu só penso assim hoje, porque quando criança eu quebrei a cara descobrindo que contos de fadas são contos de farsas, que se fossem verdade não seriam contos, e que na realidade de tanto esperar a princesa não viu a vida passar por ela dando tchauzinho.

Amanda Vieira

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Perdidos entre arautos e circuitos


Ninguém consegue escrever sobre coisas loucas, a não ser que aquele que escreve seja tão louco quanto as coisas que deseja escrever.
Cefet. Ano de 2009. O melhor ano de um estudante: o primeiro. Ano de tudo novo, parcerias, conversas, lugares. Mas de repente, tudo vira de cabeça pra baixo!
O que seria um ano novo, torna-se um ano louco! Você descobre que seu nome está entre trinta e três outros nomes marcados para viver as sextas-feiras mais doidas e infernais da sua vida! Descobre que está realmente no inferno e que o sobrenome do Lúcifer é Tito Gonçalves. Capeta tão capeta, que arruma fórmulas pra tudo, menos a que determina o número de ovos que ele tem na boca.
" Tem que tá no sangue! " Essa frase do Capetão gerava uma dúvida: ele era de ENFE ou era um viciado em drogas injetáveis? Até hoje não resta dúvidas de que ele era engenheiro...
Mais loucos do que o Capetão eram os condenados a esse inferno.
O que dizer de uma patricinha queimadense, extremamente estilosa, perdida entre Tel, Administração e Médio, que nas provas não sabia escrever nada, a não ser sobre Crepúsculo, Lua Nova e músicas de Forfun? O pior de tudo é que ela era a primeira voz de uma dupla sertaneja chamada "Fofuras".
O que dizer de um coitado que só tinha cara de anjo, que era tão ferrado em tudo, que reconhecia o próprio azar narrando a própria Bíblia, dizendo:
"Depois de tudo criado, disse Deus: - Renan, desce e... se fode!
E assim tudo se fez. E viu Deus que isso era bom. E descansou no sétimo dia."?
Imagine as sextas 13 dessa criança...
O que dizer de uma gracinha de normalista que chegava todas as sextas gritando pro mundo ouvir: "Não aguento mais aqueles capetinhas do cabelo esverdeado!"? Ela era, nas horas vagas, a segunda primeira voz do "Fofuras".
O que dizer então de um daltônico perdido entre as cores dos resistores, cantando "Vasco da Gama"( paródia de "Ô Ana Júlia" ), mesmo sabendo que sua nota em Eletrônica seria rubro-negra? Pobre desistente!...
Mas o que fazer com um animal que depois de ouvir uma pergunta "enorme de grande", responde dizendo "o quê?"? Diziam que no lugar do cérebro ele tinha um amendoim...
Havia outros detentos com eles, e o pior de todos tinha o título de Mc Tel. De pensar que esse idiota foi condenado por violentar no ônibus uma velhinha que só sabia gritar "Ô, menino!".
Infelizmente hoje estou sem inspiração pra falar da maluca que noivou mesmo sendo zarolha. Tenho menos inspiração ainda pra falar da Baiacu-girl. E muito menos pra falar sobre os loucos que pra descer do ônibus, tinham que fazer com que todos descessem também, de tão largos que eram.
Bom.. termino essa insana descrição dizendo que para todos esses foderastas e fudirastas( fodões e fudidões ), não há diferença entre arautos, circuitos e assaltos. E que com a presença do hospício 1ATEL2 o YouTube ficou mais divertido. E que... a vida por não suportar vê-los juntos, os separou tão de repente quanto os uniu no início do memorável ano de 2009.

Wallace Benjamim

Dedicado aos meus nobres amigos e colegas da saudosa 1ATEL2! Amo vcs!

Triste realidade


Quando se é criança, te fazem acreditar que você é uma príncesa, que vai crescer, esperar pelo seu príncipe encantado, ele te colocará num cavalo branco, vocês irão juntos para um castelo e viverão felizes para sempre.
Quando você cresce vê que a realidade não é tão facil assim. Descobe que príncipes encantados não existem, que cavalos brancos estão fora de moda e o castelo se você quizer terá que construir. Você é obrigado a enfrentar esse tipo de realidade logo depois do primeiro relacionamento frustrado. Quando seu ''príncipe'' se transforma em um sapo, seu mundo desmorona e toda aquela teoria de relacionamento perfeito começa a virar só um conto de fadas.
Depois disso voce volta a procurar, com bem menas esperanças do que deveria. Até cair em si e acreditar por fim que no mundo real, o mais possivel de um conto de fadas que você poderá encontrar são as aboboras, que não viram carruagens.
A realidade é baseada em conquistas diárias, você conquista alguem, conquista o amor desse alguem, e por fim conquista um relacionamento com o mínimo de frustrações diárias possíveis, no qual você pode não ser feliz para sempre, mas quem sabe vai poder se realizar e se surpreender todos os dias, sabendo que a sua vida não foi vaga como o fim de um conto de fadas, que termina num simples feliz sempre.

sexta-feira, 2 de abril de 2010


Enquanto as luzes da cidade brilhavam, tudo ao redor parecia ter se paralisado
diante de lágrimas, desculpas e juras de amor
estavam os dois, com sua única testemunha, a lua.
Parada ali observando aquele reencontro de corações,
corações feridos e remendados.
Ali já não havia orgulho ou qualquer outra coisa que os impedissem
E como se não se vissem a séculos se uniram com um abraço
e selaram o momento em um longo beijo.
Pra quem visse , poderia ser história de cinema,
Mas pra eles era o inicio de uma nova vida.

Amanda Vieira

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Turista



18 anos e como planejava, colocou tudo que precisava em uma pequena mochila.
com uma câmera e um passaporte nas mãos, o coração apertado, ela agora se despedia, das pessoas que amava. Sabia que sua escolha mudaria o rumo de muitas coisas, mas mesmo assim estava decidida.
Seu primeiro vôo fora noturno, não havia muitos passageiros, o silêncio predominava, e ela tentava manter sua mente longe do que deixará para trás.
Pela manha em seu destino, o doce aroma da conquista estava no ar, as ruas que rodeavam o central park começavam a se encher de pessoas, umas passeavam, outras se dirigiam a velha rotina, e ela estava ali, meramente notada, observando os pássaros e a beleza daquele lugar. Estava plenamente feliz naquele momento, e se lembrava de só se sentir assim uma vez em sua vida.
Com o passar dos dias o estrangeiro, não lhe parecia tão diferente e perfeito. Algo faltava ali, algo faltava dentro dela. Tomada por uma notável tristeza, resolve voltar ao ponto de partida de seu sonho, em meio a tantas pessoas que andavam sobre aquele maravilhoso parque, ela não era nada mais do que uma simples turista.
Sentada no banco, pegou-se novamente enfeitiçada pelos pássaros e o balanço das árvores. Derrepente um alguém quente lhe tocou, um tocar que ela já conhecerá, e que naquele instante parecia ser como um sonho, ao olhar para trás viu que era realmente um sonho, o seu sonho.
O motivo de sua primeira felicidade estava ali, seus braços a envolveram. Naquele momento só existiam eles. Não havia espaço para mais nada. Somente para uma turista e seu príncipe encantado.